No que acreditamos

Abordar o cuidado das crianças sob a ótica feminista é, primeiramente, defender a coletivização desse cuidado. Por que, então, optamos pelo termo ‘maternar’, não somente utilizando-o em nossos textos, como também valorizando-o, inclusive com um lugar de destaque na composição do nosso nome, FemMaterna? Por que não um termo ‘neutro’ que não reafirme o quanto os cuidados com as crianças são tarefas consideradas ‘femininas’ e obrigatórias de mães e outras mulheres?

Porque, justamente por sermos feministas, nós consideramos que não há nada de errado em ser mulher ou fazer algo considerado como próprio de mulheres. Que o problema não é termos mulheres cuidando de crianças, que tenham nascido de seus corpos, ou que estejam sob sua responsabilidade, como mães,  profissionais ou cuidadoras. O problema é a desvalorização desse cuidado. O problema é que mulheres – e somente mulheres – sejam obrigadas, ou sejam levadas a crer que são obrigadas, a exercê-lo.

Porque nós acreditamos que termos neutros como “parentagem” apenas invisibilizam a realidade de que este cuidado tão essencial é realizado prioritariamente, em muitas culturas, por mulheres, há milênios. E o mínimo que podemos fazer por essas mulheres, que também somos nós, é reafirmar que o seu trabalho importa.

Para o FemMaterna, mãe materna, pai materna, avós maternam, amigos solidários maternam. E já que passamos boas horas de nossa vida frequentando “reuniões de pais”, ainda que sejamos maioria mães neste espaço, não vemos problema em aplicar ao menos essa palavra assim, com seu componente “feminino”, a homens e mulheres que exerçam esse cuidado.

O nosso objetivo é discutir coletivamente formas de maternagem que beneficiem a tod@s: mães, pais, crianças e outros cuidadores. E também renda frutos para a coletividade. Porque acreditamos que das muitas formas de mudar o mundo, uma das mais seguras é cuidando para que as novas gerações sejam mais igualitárias, tolerantes e solidárias do que as anteriores.